quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Expedição: Juntos até o fim do mundo - Dia 05/01 - Ushuaia

Pois é, depois de considerarmos em ir de excursao para o Parque Nacional da Terra do Fogo, decidimos ir por conta, que no final de tudo deu no mesmo. Pegamos um taxi para o inicio do trajeto do trem do fim do mundo. Todos já haviam nos alertado que o trajeto é super pequeno e o trem náo era nada de excepcional, mas enfim, estavamos no fim do mundo, e como seria explicar lá em casa que nao pegamos o trem ...

E posso dizer quer o passeio foi... enfim... foi exatamente como tudo mundo havia nos falado. Nada de excepcional. O passeio fazia o antigo trajeto que os presos, na época que Ushuaia náo passava de uma unidade prisional, utilizavam para cortar lenha. Havia uma gravacao que explicava um monte de coisas históricas em espanhol e ingles, mas o trem era barulhento e os nossos vizinhos de vagáo, mais ainda, assim quase nao dava pra ouvir o que a voz da gravacao nos dizia. Para quem ia muito ao playcenter como eu na década de 80, era como se entrássemos na Montanha Encantada. Só faltou os presos olhando pra nós e acenando enquanto passávamos.

Ao chegar ao final do trajeto, estava um frio de rachar, a Marina, que se baseou na temperatura do quarto para se vestir (rsrsrs) teve que voltar pro albergue. Eu, o Kikinho e a Betinha seguimos para conhecer melhor o parque. O parque parece ser muito bacana, e tem algumas distancias consideráveis . Fizemos apenas uma pequena parte dele, principalmente perto do Canal Beagle, da Laguna Verde, e do final da Rota 3. Sem brincadeira, num intervalo de 30 minutos, chovia, fazia sol, caia granizo, ficava nublado e poderia dizer que enquanto estava no trem, chegou a nevar. Nunca vi o clima mudar táo rápido na minha vida. Tirei e coloquei a capa de chuva umas tantas vezes...

O passeio foi bem sossegado. Visitamos uma castoreira, que impressiona pelo tamanho dos diques. Os castores sao considerados praga aqui na regiao. Foram introduzidos no comeco do seculo XX e por nao contarem com predadores naturais, se alastraram quase sem controle. Sao um dos poucos animais que a caça aqui na regiao é permitida.

Um pouco depois das 15h, chegamos a um dos centros de visitantes. Lá me acometeu uma lesera (de lesado) sem precedentes e fiquei inutilizado depois do almoco tendo que dormir em cima da mesa do refeitorio. Depois fui perceber que o fim do mundo é o centro mundial da lesera. Voce entra e sai de climas frio, que é só chegar num lugar mais aquecido que fica impossível ficar acordado.

Por fim, saimos do parque por volta das 17h e fomos reencontrar a Marina. A noite seguimos para a cidade e ainda conseguimos pegar um barco para a navegacao "noturna" das 19h com o sol a pino... rsrs. O passeio de barco, este sim é sensacional. Visitamos a ilha dos passaros, a dos lobos (com lobos ou leoes marinhos), o farol do fim do mundo e descemos em uma das ilhas para conhecer a flora local. Fantástico!

Depois comemos um vazio (fraldinha) em um restaurante no centro e voltamos ao anoitecer (00h...) para o albergue. O dia havia sido intenso no fim no mundo!!!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Expedição: Juntos até o fim do mundo - Dia 04/01 - El Calafate - Ushuaia

O dia 04 de janeiro foi um dia tranquilo. Hoje chegariamos a um dos grandes objetivos desta viagem, o final do mundo!!! Mas isto seria apenas no final do dia, até entáo tinhamos um dia para vagabundear em El Calafate, fazer algumas comprinhas e curtir a cidade sossegado. Partiríamos apenas as 15h do centro para seguir ao albergue, fechar a conta e seguir para Aeroporto e depois pegar o aviáo as 17h50.

Quero fazer uma mençao ao albergue America del Sur que ficamos hospedados por todos os dias que dormimos em El Calafate. O quarto nao é algo excepcional, mas os atendentes foram os mais simpáticos e solicitos que tivemos por toda a viagem, nos ajudando com cada detalhe com uma simpatia e bom humor fora do normal. Vao sem sombra de duvidas deixar saudades.

Depois de termos o nosso almoco no La Tablita onde comemos um assado de cordeiro patagonico fora de série, seguimos para o albergue e por fim ao aeroporto. O voo foi tranquilo, a vista é linda pois passamos por cima da cordilheira que nesta parte do mundo nao passa muito dos 2.000 metros de altura, e o aeroporto é praticamento no mar.

Eu devo ser um dos primeiros brasileiros a chegar de bermudas nesta parte do mundo. Estava um frio do cao e um vento que nem se fala. Sem duvida nenhuma estava pra começar o verao mais gelado de minha vida. :-)

Só posso dizer que depois de quase 10 dias de viagens, aqui estávamos, juntos, no final do mundo!!! E a sensaçáo era maravilhosa. Corremos para o albergue, o Bella Vista da brasileira Elenilda, que é bem bacaninha, mas fica bem longe do centro. Assim tinhamos que ir de taxi toda vez para a cidade.

Para terminar o dia bem, por volta das 22h30, com o sol a pino, nos dirigimos ao centro e fomos jantar uma massa deliciosa no El Griego, um restaurante que foi montado por um argentino na casa de um ex-pioneiro da cidade, talvez o único Grego morador de Ushuaia, que trabalhava na mesma ainda quando ela nao passava de uma base prisional.

A noite foi fantástica, estavamos na Terra do Fogo e literalmente no fim do mundo. Haviamos chegado até os limites da América do Sul, onde o oceano Atlantico encontra-se com o Pacìfico, estavamos vivos, felizes, havìamos participados de aventuras fantásticas e uma nova leva de aventuras e um ano inteirinho novo pela frente nos aguardava. Era uma sensaçáo maravilhosa.

A 00h20 quando o Sol se ia e a noite finalmente chegava, voltavamos para o nosso albergue para aguardar um novo dia que logo comecaria. No dia seguinte, pegariamos o trem do fim do mundo e iriamos ao Parque Nacional da Terra do Fogo.

Expedição: Juntos até o fim do mundo - Dia 03/01 - El Calafate

O dia 3 foi um dia tranquilo, perto dos inúmeros passeios extraordinários que fizemos até aqui. A idéia original era mais um novo passeio ao Parque Nacional do Glacial, mas considerando que a caminhado do Big Ice havia sido algo fora de série, fazer uma nova visita para ver os glaciais de longe nao nos parecia mais atraente. Estavamos também um pouco cansados, assim, escolhemos uma cavalgada tranquila de 2 horas pela manha.

A cavalgada era com uma empresa de um gaucho (argentino) louco e muito divertido. Ele cavalgava sempre em posicoes diferentes no cavalo, ora um pouco mais para um lado da cela, ora atras da cela, enfim, uma atraçáo a parte. A cavalgada em si era em uma montanha que dava uma bela vista do Lago e da cidade de El Calafate. Foi relaxante, mas nada digno de nota. Os cavalos iam no automático, e a gente ia falando bobagem e tirando algumas fotos.

A tarde havíamos marcado eu, o Kikinho e a Marina de fazer um programa que incluia escalada, tirolesa e rapel. A Betinha preferiu repor as energias no albergue. Como voltamos do passeio a 13h30 e o nosso passeio a tarde era as 14h30 tivemos que fazer um almoco recorde. 10 minutos para descer a cidade, mais 10 minutos para fazer as compras no supermercado, 10 minutos para subir a cidade e mais 15 para almocar. Enfim, deve ter entrado no Guiness em alguma categoria...

A Tirolesa foi bem tranquila. Para o Kikinho e a Marina que nunca haviam feito nada antes foi especial. Na sequencia, fizemos um rapel de uns 10 metros, que se náo fosse pelo meu medo de altura, teria sido bem mais tranquilo, e por fim o mais divertido e dificil de tudo, a escalada. Fizemos uma parede de cerca de 10 metros tambèm, a ultima vez que havia escalado algo do genero havia sido na faculdade em uma parede de escalada esportiva. Faze-lo em uma parede natural com um grau de dificuldade médio foi algo divertido e que exigiu um certo esforco de nossa parte. Depois subimos por uma via ferrea (escada de metal) e saimos bem satisfeitos com o parque de diversoes.

Terminamos a noite num excelente churrasco em comemoracao a volta do chef do albergue que estava de ressaca devido a festa de virada de ano e ficou alguns dias de folga. E assim, mais um dia de nossa programaçáo encerrado em grande estilo.

Era com pesar que pensava no dia seguinte, onde deixariamos a cidade. Definitivamente, me apaixonei por El Calafate!!!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Expedição: Juntos até o fim do mundo - Dia 02/01 - El Calafate - Perito Moreno

Acordamos as 6h30 da manhã e saimos a 7h para mais um grande dia de caminhada. Se dirigimos ao Parque Nacional dos Glaciares onde iríamos fazer o treking conhecido como Big Ice, que é uma pura aventura no gelo.

O ônibus demora umas 2 horas até o parque, de lá seguimos para os "balcões" onde podemos observar o paredão do glacial Perito Moreno, que faz parte dos mais de 300 glaciais que existem na região. Ele é o terceiro em tamanho e é maior em área que a cidade de Buenos Aires.

Na verdade, é o mais estável e por isso é possível fazer caminhadas sobre ele. Os outros glaciais próximos são menos estáveis e podem ser bastante perigosos.

Dos balcões é possível observar gigantes blocos de gelo se despreendendo e caindo na água. O barulho é parecido com um trovão, a imagem é indescritível, e temos a sensação nítida do tamanho que temos neste planeta, perto destes gigantes.

Para chegar ao glacial, pegamos um barco por cerca de 15 minutos, depois caminhamos por mais 1 hora na lateral do glacial antes de entrar propriamente nele.

Caminhar no gelo é uma aventura a parte. Todos usam grampos que são amarrados aos nossos sapatos e fazem a caminhada sobre o gelo ser possível sem perigos de derrapar. Há vantagens e desvantagens nisso. A vantagem obvia é que ficamos bem presos ao chão e fica muito mais fácil subir em paredes de gelo, por exemplo. A desvantagem é que carregamos mais 5 kilos nos pés numa caminhada de 4 horas, e que perdemos boa parte da nossa mobilidade lateral.

De qualquer maneira é como estar em outro planeta, rios sobre o gelo, sob o gelo, montes, planicies, buracos no gelo, um espetáculo. Tivemos a sorte neste ano de poder entrar numa gruta formada por um rio subterraneo que mudou de curso. Entrar numa espécie de caverna de gelo é algo impressionante. O iluminação vai aos poucos se tornando azul, violeta, ultravioleta, negra. E ao sair temos a sensação que o sol está se pondo devido a iluminação constrastante do laranja.

Também tive a chance de bancar o alpinista e subir uma pequena encosta de gelo de uns 3 metros usando picaretas e os grampos nos pés. Divertidíssimo. Tivemos o nosso almoço sobre o gelo e podemos desfrutar cada instante desta aventura mágica.

Por fim, voltamos pelo mesmo caminho da ida, cansados mais super recompensados pelo espetáculo. Pegamos o barco de volta, tomamos um whiskinho com gelo do glacial e provamos um delicioso Alfajor pra fechar o dia com chave de ouro.

Deu tempo, inclusive de chegar ao albergue as 19h e postar mais um pouco de nossa aventura neste blog.

Expedição: Juntos até o fim do mundo - Dia 01/01 - El Chalten - El Calafate

E chegou finalmente o ano de 2012. Dizem que é o ano do fim do mundo, mas se o fim do mundo não chega, nós vamos até ele. Mas ainda não chegamos lá, e a virada do ano foi estupenda, dançando "Ai se eu te pego." em plena Patagonia.

Mas como ninguem é de ferro, o dia primeiro serviu para regarregarmos as energias. Eu escrevi no blog, o pessoal saiu pra fazer umas comprinhas, e depois seguimos todos para o Patagonicus para comer uma pizza maravilhosa de almoço. O Kikinho deve ter batido o recorde mundial de comer bife de Chorizo em sequencia, deve ter sido o quinto dele!!!

A propósito, El Chalten é um lugar parasidíaco também para aqueles que gostam de comer bem, há varios restaurantes bons e cervejas artesanais bem gostosas. A Patagonicus Hefe é bem boazinha! E antes de ir embora provamos um Wafler com doce de leite que era um espetáculo.

Por fim, as 18h30 pegamos o onibus para El Chalten, chegamos em El Calafate as 21h30 e ainda juntamos força para comer um bom sanduíche no bar bem bacana no centro da cidade. E de quebra conhecemos a banda argentina chamada "Divididos" que é excelente.

Depois fomos descansar, porque amanhã tem Big Ice!!!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Expedição: Juntos até o fim do mundo - Dia 31/12 - El Chalten

Pergunta se não acordamos super tarde? 8h30 estavamos levantando e até tomar café já era quase 10h. Ainda tivemos que comprar mantimentos e agua para a caminhada então estavamos para iniciar o caminho a Fitz Roy quase 11h. Para uma caminhada de minimamente 9 horas, o horário era bem desaconselhável. Mas como aqui escurece tarde, e como estavamos de frente a uma oportunidade única, era pegar ou largar.

Você não deve me conhecer muito bem, se achou que iria largar. rsrsr Então começamos a nossa subidinha que já na primeira hora nos mostrou que o caminho valeria a pena. Pela primeira vez consegui filmar condores (4 lindos e gigantes) sobrevoando as nossas cabeças. Impressionante. No dia anterior já havia conseguido ver um em perseguição a uma pequena ave no ar, mas tinha sido muito rápido e não havia nem tempo de pensar em pegar a camera.

Depois de umas 2h e meia de caminhada, chegamos ao acampamente e Laguna Capri. Um lugar lindo. A lagoa, com águas cristalinas do degelo, fazia nos ter certeza que a caminhada indubitalvelmente valeria a pena. A paisagem era de tirar o folego, e por incrivel que pareça, mudava a todo instante. Passávamos por paredões de pedra, desfiladeiros, bosques, pântanos, rios, terrenos arenosos, glaciais, enfim, uma variedade de cores e sentidos.

Apos 3 horas e meia, chegamos ao acampamento Poicenot, que é o nome de um dos picos do Fitz Roy e também o nome do nosso hotel. O acampamento era bem bacana, e aproveitamos para ir ao banheiro e comer o nosso lanchinho. Ainda faltava a ultima e mais difíl parte do nosso trajeto, a subida ao mirante das Tres Lagunas, aos pés do Fitz Roy.

Até aqui a caminhada era extensa e com um pouco de aclives e declives, mas tudo muito sossegada. A última 1 hora e pouco da nossa caminhada era em aclive forte e pedregoso. Um exercício para as pernas e os joelhos. Que dureza. A subida parecia que não acabava nunca, em especial devido ao vento e a chuva que de tempos em tempos nos castigava. Toda hora encontrávamos alguém descendo pela trilha e ao pergunta quanto faltava a resposta era a mesma, uma meia hora, quarenta minutos... rsrsr. Parecia que não nos movíamos.

Mas uma hora finalmente chegamos, que lugar lindo. Talvez tenha sido uma das visões mais lindas de minha vida. Primeiro, um lago de águas transparentes rodeados por montanhas. Em pleno verão, um punhado de neve nas encostas das paredes dava um ar paradisíaco ao local. E por fim, ao caminhar mais um pouquinho viamos uma segunda lagoa ao fundo, azul cor do céu, de tirar completamente o fôlego.

Sei que deveria haver uma terceira lagoa, mas pelo andar das horas, mais de 17h30, era prudente que começássemos a decido com o risco de perdermos a luz do sol e também, possivelmente a ceia.

A volta foi cansativa pois estávamos todos exaustos. Fizemos-la quase sem paradas e conseguimos chegar em El Chalten as 21h30. Quase 11 horas de caminhada. Uma dureza. Estavamos todos em menor ou maior grau bem detonados. Mas valeu a pena cada um dos passos que demos para conhecer o paraíso que conhecemos.

Depois de conquistar Fitz Roy (o nome do meu filho, rsrsrs), fomos tomar um banho e corremos para a ceia. Terminamos o ano comendo um bife de chorizo enorme e apetitoso, e um gostoso sorvete com brownie num albergue restaurante ao lado do hotel. E começamos o ano dançando Michel Teló e o hit: Ai se eu te pego. rsrsrsrs

Realmente começamos felizes 2012. :-)

Expedição: Juntos até o fim do mundo - Dia 30/12 - El Calafate - El Chalten

O dia 30 começou ótimo com as ligações da minha namorada, meu pai, minha mãe e meus amigos por conta do meu aniversário. Adorei todas elas !!! Acordamos tarde (por volta das 7h30) pois haviamos dormido tarde no dia anterior por conta de contar todas as aventuras para o Kikinho que se juntou a trupe.

Assim, perdemos o onibus para El Chalten que saia as 8h, podendo pegar apenas o das 13h. Fizemos o check-out pela segunda vez do fantástico albergue America del Sur, onde os funcionários são simpaticíssimos e super alto-astrais e fomos dar uma volta na cidade.

El Calafate é uma cidade charmosa, mas sem muita coisa pra fazer. Fomos ao banco trocar dinheiro, ao parque ver umas estátuas de gente importante que fez história na região e aproveitamos para fazer umas compritchas. Como diria a Marina, El Calafate é Penedo argentina.

A 13h pegamos o nosso onibus e aí, foi-se a minha conexão de celular com o mundo. Aos que tentaram me contatar após esta hora o meu muito obrigado.

Chegamos as 16h15 em El Chalten e depois de uma caminhadinha de 20 minutos contra o vento chegamos ao nosso hotel: O Poicenot. O Hotel é bem bacaninha, mas como sempre, apenas 1 computador para acesso a internet.

Saimos para dar uma volta na cidade por volta das 18h30 e para não perder o costume, fizemos uma trilha básica de 2 horas pelo Mirador del Condor e também o Mirador de las Aguilas. O visual é fantastico e a Marina completou as suas 2 primeiras trilhas com sucesso. Ela está ficando uma caminhante profissional... rsrsrs

A cidade de El Chalten é bem pequenininha e charmosa. Ela está cheia de restaurantes simpáticos e apetitosos e fica ao pé de Fitz Roy, uma montanha imponente que dá um visual fantástico a toda região.

Para terminar o meu aniversário com chave de ouro, fomos a um restaurante chamado Estepa, que tem uma cerveja artesanal fenomenal chamada Gülmen e uma truta deliciosa. Amanhã faremos o caminho de Fitz Roy, de 9 horas de caminhada.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Expedição: Juntos até o fim do mundo - Dia 29/12 - Torres del Paine - El Calafate

Acordamos cedo para pegarmos o barco e navegarmos até o glacial. Tomamos café e seguimos primeiro de onibus e depois a pé até a praia, onde pegamos um bote e seguimos até um grande barco.

O barco nos leva lentamente pelo Lago Gray até o Glacial, pelo caminho podemos observar vários blocos de gelo desprendidos que forma esculturas moveis a enfeitar a paisagem. Tambem podemos observar ao lado o incendio que parece ter ganhado dimensoes de catastrofe. No caminho ao barco encontramos bombeiros que dizem que o fogo esta incontrolavel, deixando todos um pouco tristes e preocupados.

O barco chega do lado do muro de gelo, o glacial que parece ser contido por um pequeno monte de terra que o divide em dois lados. A visao deste bloco de gelo é qualquer coisa de impressionante. O visual é fantastico.

Depois de mais de 3 horas no barco, voltamos ao hotel. Ai começa a nossa epopeia para sair do parque. Tinhamos que chegar a Laguna Amarga, acontece que o hotel cobrava o translado para qualquer parte, e o translado para Laguna Amarga saia uma fortuna US$ 130,00. Haviamos perdido a hora do onibus regular, entao decidimos ir de translado até a administraçáo do parque e de lá buscarmos uma opçáo para chegar a Laguna Amarga. Acontece que o parque estava uma bagunça por conta do incendio. O fogo chegou até a margem oposta do nosso hotel e depois descobrimos que o parque inteiro estava praticamente coberto pela fumaça.

Ao chegarmos a administraçao do parque que descobrimos o quanto a coisa estava feia. Policiais para todo lado, redes de televisao e carros de bombeiros. Eles estavam evacuando uma serie de hoteis inclusive o nosso, e nao havia muitas opçoes de transporte. Aguardamos a companhia de turismo que haviamos contratado para nos pegar na Laguna Amarga e iriamos pedir para que eles nos levassem mais um trecho (Esta empresa havia nos avisado que normalmente o onibus chega cheio até a adminstraçao, por isto deveriamos seguir direto para a Laguna Amarga).

A empresa de turismo veio com o onibus cheio, e o motorista (nosso grande amigo Leonel) a principio nao queria nos levar por conta dos policiais que nao permitiam excesso de passageiros. Mas depois da intervençao do nosso amigo e guia Jorge e da promessa da Betinha em casamento ao Leonel, conseguimos uma carona de volta a Laguna Amarga. De verdade, cheguei a temer de ter que ficar em Puerto Natales por nao conseguir sair da regiao por conta do incendio.

Ao chegarmos a fronteiro do Chile com a Argentina vimos que a coisa estava realmente ruim. Ouvimos rumores que o parque seria fechado no dia seguinte, e a fumaça do fogo já chegava a cidade. Enfim...

Sobrevivemos a mais uma catastrofre, chegamos depois de 3 horas de viagem em El Calafate. O Kikinho já estava no albergue nos esperando, meio boracho, por causa do vinho. Encontramos tambem um casal simpatico de brasileiros e trocamos detalhes das nossas aventuras.

Amanha seguimos a El Chalten. Até agora aventura 100/

Expediçao: Juntos até o fim do mundo - Dia 28/12 - Torres del Paine

Acordamos por volta das 8h para o nosso café. Decidímos que iriamos caminhar, e estavamos tentados a subir o Cerro Ferrier. Se não me engano ele tem 1590 metros de altura em relaçao ao nivel do mar, mas a subida é bem ingrime e de 700 metros. Como aperitivo ao que estar por vir, decidimos topar. A subida estava classificada como difícil, e especialmente para Marina que não está acostumada a fazer trekking, seria um desafio a parte.




O vento forte e "estúpido" como nós o apelidamos por aqui, nos acompanhou por toda a subida. Mas a cada ponto de parada que alcançávamos tínhamos as energias renovadas, porque o lugar é lindo e a vista expetacular. A Marina surpreendentemente conseguiu subir mais que a metade do trajeto e só parou porque as pernas não estavam mais aguentando. Eu e a Betinha passamos pela floresta encantada e chegamos ao topo. Antes da chegar ao topo dei de cara com um veado na subida, deve ser o ar fresco. Ainda bem que ele nem deu bola pra mim e continuou a comer o seu mato sossegado.




O topo do Cerro Ferrier é um capítulo a parte. Eu achava que sabia o que é ventania, mas agora tenho uma outra definição para o substantivo, ventania é o que venta no cume do Cerro Ferrier. Era impossível ficar em pé, a Betinha quase saiu voando, e a força do vento juntando se a sensação termica fez parecer que a minha jaqueta fosse uma blusa regata. Apesar do pouco tempo que conseguimos ficar lá em cima, uns 15 a 20 minutos no máximo, os nossos dedos começaram a congelar e a temperatura havia caído muitíssimo. Foi o único lugar até agora que senti frio.




A volta foi muito tranquila, viemos em companhia de uma família francesa que achava que a Betinha era a minha filha, fiquei preocupado, rsrsrs, talvez seja a hora de tingir o cabelo. :-)




Cinco horas depois, com os joelhos reclamando devido a forte decida, estavamos de volta ao hotel, pronto para devorarmos um hamburguer gigante e descansarmos um pouco. As meninas foram tirar uma sonequinha no quarto, e eu como nao gosto muito de descansar a tarde, sai para uma caminhadinha basica de 2 horas. Fui ate o Camping Pingo seguindo por um bosque lindo e um descampado ao lado do rio. O camping é formado por uma cabaninha bem sem vergonha e um mato mal cuidado. Mas havia 4 cavalos por lá lindos, que deram um show a parte. Estavam bailando em pleno descampado, coisa de cinema.


A nota triste do dia ficou para o incendio, que começou no dia em que chegamos ao Paine e que hoje já estava fora de controle. Uma tristeza ver o fogo devorando uma boa parcela do parque bem em frente ao nosso hotel.


Amanhã será o último dia nosso aqui neste paraíso. Com certeza um dos lugares mais lindos do mundo.

Expediçao: Juntos até o fim do mundo - Dia 27/12 - El Calafate - Torres del Paine


De madrugada (novamente) acordamos para tomar nosso café da manhã, já que nosso ônibus nos levaria ao nosso primeiro destino as 5h30. Estavamos saindo do nosso aconchegante albergue, o America del Sur, pela primeira vez em direção a Torres del Paine. Escolhemos El Calafate para ser a base de nossos passeios, assim , dormiremos vários dias no America del Sur, só que intercalando nossa hospedagem com outros passeios. A primeira parte da viagem foi bacana principalmente pela paisagem impar que a Patagonia possui. Um imenso deserto cercado por montanhas lindas e altas.



Nosso albergue: O America del Sur


Como sempre, atravessar a fronteira do Chile com qualquer país é um teste de paciência. E não foi diferente para cruzarmos da Argentina para o Chile. Ao chegar em Puerto Natales, a pequena cidade de fronteira, trocamos dinheiro e nos preparamos para entrar no tão esperado Parque Nacional de Torres del Paine.


Ao se aproximarmos do parque é possível entender a bem justificada fama do lugar. As Torres, um conjunto de montanha que se erguem no meio de uma vegetação rara e lagos azuis, verdes ou cinzas são algo de tirar o folego. O tour foi bem bacana. O nosso guia, o Jorge, um índio se não me engano da etnia Patchua, nos levou a lugares impressionantes, a laguna Amarga, ao Lago Pehoe, as cataratas, e ao museo. Na excursão tivemos a companhia de um cantor turco que conhecia tudo de futebol e ficou encantado com a Betinha e um casal(?) de austriacos.


Uma coisa que é notável é o número de brasileiros por aqui. Em toda parte é possível encontrar um. Na nossa excursão havia um casal que ficou escondido até o último minuto. Acho que era pra evitar a vergonha de nós. rsrsrs Terminamos a tarde no nosso fantástico hotel no Lago Gray. O lugar é coisa de cinema. A vista é para o lago, as montanhas e ao longe, o glacial. É possível ver a praia com alguns pequenos icebergues flutuando. Um espetáculo.



Vista de cinema das Torres del Paine




Enquanto as meninas se arrumavam, eu aproveitei para uma breve caminhada pela praia, lindíssima. Outra coisa que impressiona é o vento e a velocidade que o tempo muda por aqui. Em 1h e meia de caminhada, peguei frio, chuva, sol e vento, com direito a um arco iris de despedida.




Um guánaco!



Por fim ceiamos como reis e dormimos como anjos.

Expediçao: Juntos até o fim do mundo - Dia 26/12 - Buenos Aires - El Calafate

Graças a nossa querida Aerolineas Argentina, o dia 26/12 foi um dia perdido. Como haviamos ido dormir tarde no dia 25/12 por conta do nosso tour, acordamos por volta das 9h e terminamos de tomar café quase 11h (A Marina tinha vôo para El Calafate as 8h da manhã e nos deixou de madrugada). No café da manhã tivemos a companhia do atendente figura do nosso albergue, que diz a má lingua da Betinha que ficou morrendo de amores...por mim... Estes argentinos, não sei não!



Nosso carinhoso amigo argentino!!!



Intrigas a parte, depois de caminhar um pouco pelo centro da cidade já estava na hora de irmos ao aeroporto, já que a companhia aerea havia adiantado o vôo em 40 minutos para as 15h. Chegamos lá, o vôo atrasa o embarque em 30 minutos, depois, dentro da aeronave, ficamos parados por mais 2 horas estacionados, morrendo de calor enquanto os funcionários da empresa tentavam resolver um problema no banheiro do avião, depois fomos todos despejados do avião e tivemos que aguardar mais 1 hora e pouco até trocarmos de aeronave e podermos decolar. Uma beleza. Chegamos em El Calafate quase 22h. Enfim, só deu tempo de comer uma pizza, conhecer o nosso companheiro de quarto: Hussein, um tìpico canadense a começar pelo nome.



No albergue provando uma cervejinha regional (ruim por sinal)

Expedição: Juntos até o fim do mundo - Dia 25/12 - São Paulo - Buenos Aires

Contamos com a ajuda da lindíssima motorista e minha fantástica namorada Luana para levar-nos até o aeroporto de Guarulhos. O nosso vôo sairia as 20h40 e como bons brasileiros chegamos cedo para evitar problemas com a alfandega. A Marina pegaria o vôo alguns minutos antes e chegaria a Buenos Aires antes que nós, eu e a Betinha. O Kikinho, último da trupe se uniria a nós apenas em El Calafate, 4 dias depois.


Eu e a minha linda na nossa última foto de 2011! Saudades !!!



O embarque foi tranquilo, mas como não poderia deixar de acontecer a primeira surpresa já veio logo após o desembarque. E desta vez, as malas chegaram... O ponto é que por irmos em vôos diferentes, eu e a Betinha marcamos de encontrar a Marina no MacDonalds do aeroporto, que a Marina jurou de pé junto que era super fácil de achar. Descobrimos apenas em Buenos Aires, depois de perguntar quanto ao MacDonald em nosso aeroporto, que haviamos ido para aeroportos diferentes. E para piorar, a Marina estava com o celular desligado e sem o endereço do nosso albergue.



Os 3 reis magos, ou melhor, 1 rei e duas rainhas magas. kkkk


Depois de umas mil mensagens de texto, e recados na caixa postal, conseguimos a façanha de nos encontrarmos no albergue e começarmos a nossa aventura rumo ao fim do mundo. A primeira diversão foi o nosso tour noturno em Buenos Aires da meia-noite as três da manhã. A cidade é lindissíma e vale um passeio a parte. Como o nosso foco era a Patagonia e o Fim do mundo propriamente dito, nos contentamos em conhecer o congresso, a casa rosada, Porto Madero, o obelisco e o Banco Itaú. rsrsrs . Algúem poderia facilitar a vida dos turistas incautos e avisar onde é a frente da casa rosada. Nós por exemplo tiramos várias fotos do fundo. :-)




Enfim, a frente da casa rosada!!! (espero...rsrsrs)






terça-feira, 9 de novembro de 2010

Replicando - Quem sou eu 2

Palavras sobre mim eu deixo aos poetas, ou aos físicos loucos: Porque sou matéria em movimento, com essência do próprio Deus.

Não posso ser descrito, apenas interpretado, e muitas vezes equivocadamente.

Sigo o caminho buscando acertar, mas as vezes erro, até propositadamente.

Se me perguntar o porquê, direi que sinceramente não sei, mas sei que é assim.

Se quiser me conhecer, me observe, me acompanhe, talvez consiga captar por um instante um pedaço do que um dia eu fui.




O dia em que o amor morreu

O amor morreu. Mas não morreu de morte matada, meus senhores, minhas senhoras. Nem de morte morrida, se assim posso dizer. Morreu de tristeza, descaso e mentira. Pela autopsia, morreu envenenado.

Ele que vinha feliz e pululante, ele que vive da alegria e da fé. O amor que acredita em tudo, perdoa tudo e não desiste nunca. Ele que vê esperança onde os outros só vêem desespero. Pois é, ele mesmo, o amor, morreu.

Morreu jovem, tinha 6 meses ou nem isso. Não digo que não teve uma vida intensa, o amor sempre tem uma vida intensa. Ele foi feliz e completo, pelo menos nos instantes em que estava feliz e completo. Ele foi cúmplice, juiz, pai e mãe, amigo e companheiro.

Não digo que não tenha sofrido, pois amor que é amor sempre sofre. As vezes por coisas que nem sei. Mas este amor, morreu de tristeza, de sofrimento cronico, de perder uma de suas principais capacidades, a capacidade de acreditar. Morreu envenenado pela mentira, pelo descaso as coisas belas e ao que era importante, morreu por que se quis e assim foi.

De tantos caminhos que poderia seguir, ele foi encaminhado para o pior, o da desilusão e o da morte. Morreu triste, mas com a certeza de que viveu. Viveu e tentou, acreditou até onde não poder mais, sentiu, tentou, buscou. Morreu a morte dos justos, de quem tenta até o limite.

Jaz aqui o amor, que um dia foi belo, intenso e majestoso. Que um dia pensou poder viver pra sempre, mas que não foi alimentado como devia. Morreu de inanição.

Aqui jaz o amor!


terça-feira, 18 de maio de 2010

O homem que gostava do vento

E o vento chegou, faceiro, matreiro, mostrando seu facho, apagando seu rastro,
Chegou como quem não quer, quem não sabe, quem não fica até tarde
Como o sopro divino, entoando a lembrança do que se havia esquecido
De que o pulso ainda pulsa, que o susto ainda assusta

E o vento chegou, ligeiro, zombeteiro, brincando de lado, fingindo o diabo
No fundo um anjo, recém encarnado, que não quer ficar por ter medo de amar
O medo ingênuo de que se ficar deixará de ser vento e não poderá nunca mais soprar

E o vento chegou em veraneio, fogueteiro, saiu do céu e do mar
Se soubesse que o vento não deixa de ser vento, por parar de soprar
Nem só de sopro ele vive, mas de afago, como brisa ao luar

Se o vento é brisa ou temporal, se é afago ou ventaval,
não é coisa coisada, escrita em pedra afinal,
mas sim uma escolha, algo querido, decidido, batalha vencida, destino, ou a busca, etérea, por um ideal.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Expedição: 16 e 17 de janeiro

Chegamos em Potosi as 2hs da manhã. E como havíamos perdido um dia de viagem, não teríamos tempo pra conhecer a cidade, teríamos que seguir direto a Sucre.

Sucre fica a um pouco menos de 3hs de viagem de Potosi, e o normal é pegar um taxi que faz este trajeto a esta hora da noite. Pegamos um taxista malandro, que acabou nos cobrando no final mais caro do que o que havíamos combinado, arruinando um pouco da boa reputação que os bolivianos gozavam até então. Realmente tem pilantra em toda a parte.

Este taxista tinha uma bola enorme de folhas de coca na boca, que ficava mascando sem parar. A impressão que tive é que ele já estava um bom tempo trabalhando e não seria nem um pouco seguro deixá-lo dirigir sozinho. Assim eu e a Ana nos revezamos como co-pilotos e garantimos que ele tivesse alguém para conversar o tempo todo, apesar da exaustão em que estávamos.

Chegamos as 4h30 da manhã em Sucre e descidimos, ao invés de ir a algum albergue, economizar e irmos direto ao aeroporto, que supostamente abriria as 6hs. Acabamos dormindo na praça em frente ao aeroporto, que deve ter aberto quase umas 7hs. Ainda lá dentro tivemos que aguardar até as 10hs para que pudéssemos fazer o Check-in e deixar nossas malas.

Depois ainda aproveitamos para dar uma volta na cidade, conhecer Sucre que é muito bonita por sinal com lindas praças e casas bem bonitas ao estílo colonial. Tivemos tempo de ir ao Parque dos Dinossauros onde é possível se ver as pegadas destes gigantes além de muitas réplicas em tamanho natural de uma série de espécies diferentes. Achei o lugar bem legal.

Se não me engano, as 16hs pegamos o nosso vôo de volta para Santa Cruz de La Sierra, onde pegaríamos o nosso vôo para regressar ao Brasil no dia seguinte.

Voltar a Santa Cruz foi como voltar pra casa. Albergue e ruas conhecidas, numa cidade bastante cosmopolíta. Aproveitamos para comprar os presentes que faltava e descansar.

Chegamos no Brasil a noite do dia 17 de janeiro de 2010, num dia chuvoso em São Paulo. E esta viagem me faz acreditar que algumas vezes a realidade pode ser feito do mesmo material que são feitos os sonhos.

Estava contente em voltar pra casa, e estava pronto para começar a me preparar para a próxima!!!

Expedição: 12, 13, 14 e 15 de janeiro

A viagem até San Pedro do Atacama não foi muito boa. Primeiro problema, estavamos todos nós nos sentindo mal. Acho que sair dos 5.000 mts de altitude, descer ao nível do mar, e voltar aos 3.500 mts no espaço de poucas horas não é algo muito recomendado a ser feito. No entando ainda estavamos suspeitando da comida...

A viagem de Arica a San Pedro é bem chatinha. A gente para algumas vezes no trajeto para controles. Que me desculpem os chilenos, mas a fiscalização é um porre, e os postos policiais cheios de preconceitos. Você acredita que pediram pra Ana descer sozinha só porque ela era brasileira. E a maioria dos peruanos e bolivianos sofrem muito preconceitos, houvi histórias até de retenção ilegal de passaportes e documentos de identidade. Para um país que se diz tão civilizado eles deveriam mesmo é ter vergonha de tamanha estupidez.

Durante a viagem, a Betinha passou mal realmente, e chegou branca (mais branca ainda) em San Pedro, tanto que estavamos todos preocupados, e não sabiamos ao certo como faríamos pra seguir para a nossa próxima parada (Uyuni - Bolívia).

Já estavamos um dia atrasados no nosso intinerário, e estava buscando loucamente algum tour que pudesse fazer a travessia do deserto em 2 dias. Mas ou se fazia o translado de 1 dia que é basicamente o transporte sem parada alguma, ou, para visitar os ponts turisticos, há de se fazer os 3 dias. A terceira alternativa é ser milionário e contatar um tour particular que custa uma fortuna.

Bem, como havíamos chegado cedo, tinhamos tempo pra conhecer a cidade, que é a réplica perfeita das cidades do velho oeste dos desenhos do Pica-Pau, muito louca, cheio de casas de pedra, ruas estreitas e areia, muita areia.

Durante a tarde acabamos por levar a Betinha no médico, e batata, ela estava com o tal do mal de altitude (o marvadão), e teve que ficar no Pronto-Socorro tomando oxigênio (a oxigenação dela estava em 92% quando o normal é estar em 100% ). Eu e a Ana estávamos a base do santo remédio, o chazinho de coca, mas a Betinha tinha mal estar psicológico só em ver a folhinha de coca, tanto que quando saimos a noite pra comer alguma coisa antes de começar a travessia do deserto, para o nosso desespero, a Betinha desmaiou, só em tentar mascar um pedacinho de folha.

Fui uma experiência a la "O Exorcista", a Betinha passando mal e desmaindo enquanto eu tentava levar ela pra fora do bar. Impressionante como uma pessoa com os seus 50 e poucos quilos pode de repende pesar mais de 100. Graças ao bom Deus que apareceram do nada uma enfermeria e praticamente uma equipe médica inteira e a Betinha ressucitou.

A nossa cabeça estava a mil, já que no dia seguinte logo as 8hs da manhã haviamos comprado o tour para atravessar por 3 dias o deserto do Atacama, um programa excelente para quem estava mais branca que o salar.

Mas Deus estava por nós, e a Betinha se levantou melhor e achou melhor seguir viagem.

Pegamos uma tal Paloma tour junto com um casal de colombianos e um japonês muito louco, além de um motorista boliviano bastante malandro e a cara do Ligeirinho.

O primeiro dia de tour foi uma droga. Aliás, a Paloma tour é uma droga completa e tivemos que nos pronunciar para que o tour inteiro não fosse um desastre. No final, apesar da porcaria da agência, foi bem divertido.

No primeiro dia fazemos uma série de lagoas (a laguna azul, a laguna verde e vemos a laguna colorada) além de visitarmos os Geysers e as termas. O deserto é fantástico e todos os lugares são lindos. O problema do primeiro dia é que ficamos muito pouco tempo em cada um dos lugares, e depois que fomos descobrir o porquê.

Estavamos com o carro mais velho de todo o deserto do Atacama, e ousaria dizer que um dos mais velhos de todo o Chile. E o nosso motorista não queria ficar muito tempo em cada parada por dois motivos: 1) O carro quebrar e náo ter ninguém depois dele para nos socorrer, 2) Porque a agência não tinha feito reserva no alojamento e corríamos o risco de encontrar o lugar lotado.

Assim, chegamos as 14hs no alojamento e o programa do primeiro dia tinha acabado. Eu fiquei puto! Mas como não tinha saco pra ficar a tarde inteira no acampamento, acabei fazendo até que inconscientemente uma das caminhadas mais loucas de minha vida: 3 horas de caminhada no deserto.

Na verdade, como náo haviamos nos aproximado da Laguna Colorada, pensei em ir caminhando até lá pra dar uma voltinha. A Ana também achou uma boa idéia e quis me acompanhar. O problema é que a laguna é enorme, e de onde estávamos achavamos que era pertinho. A Ana, depois de 30 minutos de caminhada desistiu e resolveu voltar. Eu como sou teimoso como pedra, resolvi seguir viagem.

Na ida, tudo bem, consegui até pegar carona com um off-road que apareceu do meio do nada (se eu fiquei espantado, imagina os caras que me deram carona, que encontraram um louco andando no meio do deserto). Assim, economizei uns bons 40 minutos, fazendo o trajeto de ida em pouco mais de uma hora.

O lugar é de outro mundo! A laguna cheia de flamingos e cores exóticas nos faz pensar que estamos em Marte ou coisa do gênero. O problema foi caminhar a volta para o refugio. O vento estava contra, o sol estava de rachar, o terreno é todo irregular, e a areia tenta desviar-se dos óculos pra tentar entrar bem no meio do seu olho. Uma sensação continua de desconforto. Me senti naqueles filmes de legionário atravessando o Saara. Enfim, a minha própria travessia do deserto.

No segundo dia de deserto, a coisa melhorou. Como xingamos o motorista por termos ficado a tarde inteira de bobeira no albergue, e ele explicou as razões dele (e a verdade veio a tona) entramos em um acordo, que não seríamos os últimos, então tentaríamos não ficar muito tempo enrolando nos lugares, mas ele nos deixaria mais tempo em cada um dos atrativos. A coisa funcionou bem. O roteiro do segundo dia passa pela Laguna Colorada, a Árvore de Pedra, e mais uma série de lagoas muito bonitas. O próprio deserto é um show em si.

E a aventura foi maior para nós que a cada parada ficávamos naquele drama de abrir o capo enquanto o motorista que também era mecânica ficava a cada parada trocando ou mechendo em alguma peça do nosso carro. Toda hora tinha impressão que o carro ficaria por ali mesmo. rsrs

O final do segundo dia é num hotel de sal. Isto mesmo, ficamos hospedados, agora num local que tinha direito a banho e tido (o refúgio não tinha chuveiro), num hotel feito com tijolos de sal compactado. Mais do que isso, além das paredes, as camas, as mesas e cadeiras eram todas feitas de sal. Muito bacana.

Pela quantidade de sal, vocês já devem ter presumido o óbvio, estávamos ao lado do Salar de Uyuni, que seria o nosso próximo passeio.

No terceiro dia, a viagem é pelo Salar, e ouso dizer que o Salar de Uyuni é a paisagem mais bizarra que eu já vi em toda a minha vida. Imaginem vocês um salão feito de mármore branco, agora imaginem um salão de mármore branco infinito. Isto é o salar. Pra todo lado que você olha existe sal, placas de sal, num brancor de doer os olhos!!! Estavamos literalmente num mar de sal.

As fotos são fantásticas, mas não conseguem nem de perto traduzir a beleza do lugar. Me senti num sonho, ou num filme de Lars von Trier. Primeiro visitamos um outro albergue de sal, o mais famoso e bonito do lugar. Depois seguimos para a Isla. A Isla é uma ilha de terra bem no meio do mar de sal, e o nome é super apropriado, porque temos a nítida impressão que estamos numa ilha. Um lugar maravilhoso.

Por fim, passamos num lugar para ver artesanatos e chegamos a palpérrima cidade de Uyumi. De lá vamos ao cemitério de trem, um lugar bem bacana cheio de trens enferrujados e voltamos a cidade para aguardar o nosso ônibus supostamente para Sucre.

Ao chegar na cidade de Uyumi, para nossa felicidade descobrimos que: 1) Não haviam mais ônibus direto para Sucre, 2) A nossa agência, expetacular que era, ainda não tinha providenciado as passagens, apenas reservado, 3) Para comprar água gelada na cidade é preciso encomendar de um dia para outro. Enfim: Sensacional.

Após muita insistência de nossa parte conseguimos (e demos graças a Deus por isso), 3 passagens num cata-louco e seguimos viagem até Potosi. Apesar do ônibus vir completamente lotado com pessoas de pé e sentadas no corredor, colocando produtos e bebês no seu colo, naqueles típicos filmes que mostram a pobreza da região, pior seria ficar preso na cidade de Uyuni por mais um dia. De qualquer maneira, haviamos atravessado o deserto, voltávamos a nossa querida Bolívia e seguíamos finalmente para casa.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Expedição: 9, 10 e 11 janeiro

Mais uma noite dormida em um ônibus semi leito. Cuzco - Arequipa foi uma viagem tranquila. Chegamos cedo na cidade diretamente em um terminal VIP pela empresa Cruz del Sur. Muito boa por sinal.

Lá, fomos super bem recepcionados e conseguimos reservar um albergue, ter idéia de passeios a fazer e comprar as passagens para o dia seguinte tudo a partir da recpção da Cruz del Sur. Uma comodidade incrível. De lá fomos levados por um ótimo albergue do lado da praça de armas.

O albergue ficava a 2 lances de escada do térreo, mas como eu estava craque em subir escadas, praticamente, nem reparei... rrsrrs.

A cidade de Arequipa fica a um pouco mais de 2 mil metros de altura, e tem várias atrações. Uma das principais delas é o Cannyon del Colca, onde conforme diz a lenda, os condores voam sobre as nossas cabeças. Como nós havíamos chegado cedo na cidade, foi possível aproveitar bem o tempo. De manhã descansamos, e a tarde pegamos um tour de 4 horas pela cidade.

O tour foi bem meia boca, com seu ponto alto no passeio de cavalo da Betinha, e na participação como penetra na celebração de um casamento na cidade. As paisagens eram bem bonitas!!!

No dia seguinte, acordávamos as 2 da manhã para pegarmos um ônibus que nos levaria ao famoso Canyon. Iriamos dividir o micro ônibus com 2 alemães, 2 brasileros, e 2 peruanos, fora um guia que era um entojo de chato, com um motorista igual. A nossa progaramação seria um dia inteiro no Canyon del Colca e cidades na cercania.

Chegamos a cidadezinha de Chivay que seria a base do nosso passeio. De lá seguiriamos ao mirante Cruz del Condor que ficava a quase 4 mil metros na tentativa de olhar os magnificos condores. A vista do Canyon é magnifica. Ele tem uma profundidade que em alguns pontos chegam a 1.600 metros de desnível, e a paisagem fica de tirar o fôlego literalmente.

Infelizmente, não conseguimos ver nenhum Condor de perto, o máximo que vimos foram alguns deles bem lá embaixo do Canyon, o que gerou inúmeras brincadeiras de nossa parte. Acho que chegamos cedo demais no local. Mas mesmo sem ter visto os condores, a viagem tinha valido a pena.

Por fim, passamos ainda num vilarejo e nas termas onde podemos relaxar um pouco. E o final do passeio foi uma subida até os 5.000 metros de altura (desta vez de carro), onde eu estabeleceria o meu novo recorde de altitude!!! Lá em cima, não se pudia ver nada, apenas nuvens, e o vento era bastante forte.

Chegamos de volta a cidade, arrumamos as malas e seguimos para a nossa próxima cidade, que seria São Pedro de Atacama. O ponto é que a saída do Peru seria mais complicada que imaginávamos. Não há ônibus direto de Arequipa a São Pedro, na verdade, teríamos que fazer algumas paradas, a primeira delas na cidade histórica de Tacna, ainda no Peru, na fronteira com o Chile. Lá chegaríamos as 4:00 da manhã. Estávamos nos especializando em chegar no meio da madrugada nos lugares.

A viagem até Tacna foi relativamente tranquila. Ao chegarmos na cidade, tivemos que pegar uma espécie de taxi coletivo até a fronteira. O taxi ia cheio e cobrava um preço fixo por pessoa. Acabamos de dividir ele com 2 franceses, que não falavamo praticamente nada em espanhol. Duas figuras.

Chegamos na fronteira umas 5:20 horário peruano, e teriamos que aguardar até as 6:00. No Chile, a diferença de horário era de 2 horas, e o horário local seria as 8:00. Atravessar do Peru pro Chile é bem embassado, aliás, tudo no Chile neste aspecto é um exagero de desconforto.

Após a revista de nossas malas e passaportes, chegamos finalmente ao outro lado da fronteira, e seguimos de taxi a cidade de Arica, primeira cidade litorânea de todo o trajeto. A cidade de Arica não estava em nosso roteiro e a idéia era só passar por ela para chegar a Santiago. Mas ao chegar na rodoviária a primeira surpresa. Não havia ônibus matinais para São Pedro, na verdade, só havia um único horário pra cidade, o das 20h00. Desta forma, o primeiro grande imprevisto acontecia: Não conseguiriamos chegar no dia planejado em São Pedro, e atrasaríamos em 1 dia a nossa viagem. Como tinhamos avião marcado, teríamos que compensar este dia de alguma forma....

Enfim, estávamos presos em Arica, e decidimos por tomar proveito da situação. O novo moto era: Vamos a la playa, oooo, vamos a la playa, oooo.

Colocamos as nossas mochilas em um locker, pegamos a nossa mochilas de caminhada e seguimos para conhecer a cidade e nos banhar nas gelidas aguas do Pacìfico.

A cidade é bacaninha, achei interessante visitar uma igreja que havia sido projetada por Gustave Eifell, este mesmo da torre de Paris. Os traços dele são marcantes e vi algumas similaridades tanto com a Torre como com a ponte também dele na cidade de Porto.

No final passamos o dia na praia, deitadão por horas a fio. Eu tentei entrar no mar, mas a água é bastante gelada, e o fundo do mar coberto de pedras e ouriços, o que assustava, assim prefiri não entrar mais do que a altura dos joelhos e retornar a minha cadeira para mais uma cervejinha.

A Betinha ficou tostando no sol, e acabou se queimando, ou seja, deu uma de turista... rsrsr. Depois acabamos de reservar um albergue bem baratinho pra descansar e tomar banho e poder finalmente seguir viagem.

No dia 11 a noite, finalmente pegaríamos o nosso ônibus e seguiríamos para o destino final de nossa viagem, o deserto do Atacama.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Expedição: Caminhada Salkantay - Dia 5 - 08 de janeiro de 2010

3 e meia da manhã. Foi esta hora que eu acordei pra fazer o último dia de minha caminhada em direção a Machu Picchu. Dormi pouco, mas como tinha economizado meio dia de caminhada no dia anterior, estava com a energia toda. Tinhamos marcado de nos encontrar as 4:20 na praça de armas da cidade.

Eu fui o primeiro a chegar, as 4:10, aproveitei pra tomar um café expresso quentinho que uma loja vendia, e confesso que me sentia ótimo. As bolhas estavam bem protegidas com uma espécie de segunda pele. Um curativo novo e muito bom que a Ana tinha levado e havia me dado.


As 4:25 começamos a caminhada com todos. O clima era de uma maratona, sabiamos que tinhamos que ser rápidos para chegar antes dos ônibus e assim garantir nosso lugar. Antes de nós já haviam partido várias pessoas e a trilha começa.


Logo estavamos num breu total, e o guia não nos acompanharia. Assim teríamos que confiar em nossos instintos, na marcação da trilha que era muito boa e nas nossas super lanternas. Me sentia numa corrida, porque todos andávam rápidos e queriamos chegar o quanto antes. Seriam 1 hora e meia de caminhada, toda ela em subida ingreme, bastante ingreme.



Saimos num pelotão, eu estava no pelotão de frente e disposto a fazer um bom tempo... O caminho começa plano, mas logo se transforma em uma coisa só, uma escada infinita até o céu... As escadarias são uma coisa absurda, degraus imponentes, grandes o suficiente para dificultar a subida. E o que fariamos depois dos 15 minutos iniciais de trilha seria só subir.



No final tinha a impressão que a escada não acabaria nunca, e a manhã daquele dia começava chuvosa e nublada, então para piorar não sabiamos quão longe estavamos do pico... Mas como disse estava com a energia toda, e subi aquelas escadas em ritmo frenético. Estava ultrapassando todo mundo... Do nosso grupo de caminhada eu estava bem a frente. Na minha frente apenas o Dor, com seus 18 anos e seus 1,90 mts de altura, e o Edwin, que vinha logo a minha frente.


Fizemos o percurso em tempo recorde, um pouco mais de 1 hora, quando cheguei a entrada de Machu Picchu estava uma catarata de suor, mas numa felicidade sem fim. Depois do meu último degrau não tive dúvidas. Soltei um urro de felicidade. Eu estava lá, a porta da entrada do Machu Picchu, e pelo número de pessoas a minha frente eu iria sim a Waynapicchu !!!

Peguei a senha 279 para o horário das 10-11, tudo perfeito. As meninas que vieram de ônibus depois, não tiveram a mesma sorte, as senhas haviam acabado, para elas não teria Waynapicchu.

Macchupichu é uma cidade de pedras. Um lugar sagrado. Imaginar-se no tempo no meio da civilização inca é uma coisa impossível de não se fazer. O local é enorme e há varias construções interessantes.

Há 3 divindades principais, a Serpente, o Puma e o Condor. A Serpente representa o mundo dos mortos, o submundo, o passado. O Puma representa o mundo presente, as coisas, a realidade. E o Condor o mundo do amanhã, o futuro, as possibilidades... Estava encarnando o Puma, vivendo o presente com toda a intensidade, e vislumbrava o Condor, sem me preocupar tanto com a Serpente....

As 10, estava na fila para subir a Waynapicchu, eis quando surge a Betinha toda feliz, ela tinha conseguido um bilhete para subir com a gente com meu amigo argentino Pablo, que na verdade só queria sombra e agua fresca.... Infelizmente a alegria dela durou pouco, como o bilhete com a senha estava muito encharcado, e desgrampeado do bilhete de entrada ao sitio arqueológico, o idiota do guarda o julgou como falso e proibiu a entrada da Betinha, uma injustiça tremenda, além de uns episódios mais tristes de toda a viagem.

Eu estava com o tempo contado, deveria subir e descer de Waynapichu até no máximo as 12:30, porque deveria pegar o ônibus de volta a Aguas Calientes, pagar o albergue e correr para o Ferroviária para pegar nosso trem as 14:00 já que tinhamos um ônibus no mesmo dia para Arequipa as 20:30 em Cuzco... uma loucura.

Subi as impressionantes escadas de Waynapicchu animado, apesar de um pouco cansado. A subida é incrível. Uma escada irregular, com trechos estreitíssimos e um abismo de mais de 1.000 metros ao seu lado. Nem preciso falar como me senti tendo o medo de altura que eu tenho... rrsr

A vista de cima de Waynapicchu é uma coisa indescritível, ainda mais porque o tempo abriu e o céu estava lindíssimo. Infelizmente, como a Betinha não subiu, eu não tenho fotos, apenas um vídeo do lugar, e posso garantir que a subida vale todo o esforço.

Quando desci, por volta das 12:20, não poderia deixar de contar com um pouco de aventura. Primeiro, Macchupichu é super bem sinalizada para quem entra, mas é quase impossível achar a saída daquele lugar. Eu já estava ficando quase louco. Eu tinha pensado que havia marcado com as meninas de nos encontrar no ponto de ônibus por volta das 13:00. O ônibus levava um pouco menos de 40 minutos para Aguas Calientes e teríamos 20 minutos para pegar as malas no albergue, chegar na Ferroviaria (5 minutos a pé do albergue) e tomar nosso ônibus.

Consegui chegar lá fora as 12:50.... quando cheguei... cadê as meninas? Não encontrava elas em lugar nenhum. As pessoas que conheciam me dizia que elas também estavam atrás de mim, mas já fazia muito tempo que eles não as viam... Fiquei esperando até as 13:20, meu tempo limite para não perder o trem.... Depois disso peguei o ônibus e fui a Aguas Calientes. Eu estava tão cansado que dormi no trajeto e tive que ser acordado no ponto final.

Quando dobrei a esquina da praça de armas já vi a Ana desesperada me acenando do Albergue... Elas tinham saído sem mim, imaginaram que eu já havia retornado. Uma loucura. Tivemos que entrar no quarto de baguagem pra resgatar as nossas malas, já que na hora que chegamos no nosso albergue não havia ninguem para nos atender, e saimos feito insanos em direção a Ferroviaria, já que eram praticamente 14:00 .

Nisso o cara do albergue nos alcança para me devolver minhas roupas que havia deixado na lavandeiria e obviamente cobrar pelo serviço... Foi uma sorte, se não, teria perdido uma boa leva de roupas. Chegamos na estação e havia um cara aguardando por nós (nada como ser VIPs...) o trem nos esperava, estava atrasado e a gente era obviamente os últimos.

Nunca corri tanto na vida, e de fato, este bilhete de trem que nós pegamos era o máximo. O vagão tinha o seu teto feito em vidro e podíamos ir apreciando o trajeto por todo o caminho. E melhor, eles serviam bolachinhas e refrigerantes. Pra mim que não tive tempo de almoçar e nem de tomar café da manhã direito me sentia no paraíso.

Chegamos em Cuzco eram quase 18:00. Tivemos um tempinho para descansar um pouco, fazer as últimas compras e seguir para a Rodoviária. Naquela noite seguiríamos para Arequipa para a parte final de nossa viagem.

Machu Picchu foi uma experiência fantástica, em si, e por coroar o último dia desta caminhada incrível que foi o caminho de Salkantay, algo que tenho certeza que nunca esquecerei.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Expedição: Caminhada Salkantay - Dia 4 - 07 de janeiro de 2010

Quarto dia de caminhada. Acordamos tarde já que este seria um dos dias mais tranquilos de todos. Estávamos no povoado de Santa Teresa, e depois do tradicional café da manhã, seguimos a pé até o centrinho da cidade e de lá seguimos em direção a usina hidrelétrica de Machu Picchu.

Geron, se divertindo com nosso novo companheiro no café da manhã

Por conta das bolhas do dia anterior adotei a estratégia de fazer apenas meio dia de caminhada (a parte da manhã era mais tranquila), a parte da tarde faria o trajeto de trem, já que não queria de maneira alguma colocar em risco a minha subida a pé para a cidade inca de Machu Picchu e a minha subida a montanha Waynapicchu no dia seguinte.

O povoado de Santa Teresa.

A caminhada na manhã do quarto dia era realmente tranquila, mesmo com o pé cheio de band-aids para a minha coleção de bolhas, e sem a minha ex-bota, não tive dificuldades em fazer a primeira etapa com o meu super papete e meias, meu único calçado a partir de então.

Nossa primeira parada do dia, uma deliciosa cachoeira

Uma pena que tive que decidir um dia antes a minha ida de trem na segunda parte do trajeto, hoje acredito que não teria problemas em fazer a segunda metade (pelos trilhos) também. Falando nisso, ouvindo os noticiários da situação das enchentes na cidade de Aguas Calientes e do transbordamento do rio Urubamba é que percebo quanto Deus estava conosco por toda caminhada. Estar ilhado em uma caminhada no meio do nada não deve ser uma sensação muito agradável!!!

Tá bom, tá bom, agora eu sei que não devíamos ter deixado a torneira aberta...

Para almoçar chegamos em um restaurante nas proximidades da usina de Machu Picchu. Esta seria a minha primeira separação dos meus companheiros de caminhada. No almoço me juntei ao Pablo e a Jenniffer, desistentes do 1º e 3º dia, que também iriam tomar o trem.

O Rio Urubamba

Eu aproveitei o tempo livre e a hidrelétrica que estava ali do lado para trabalhar. Acabei fazendo uma visita não planejada a hidrelétrica de Machu Picchu, onde foi muito bem recebido pelo engenheiro Ronald e conheci a interessante usina, a única que conheço que tem desenhos incas pintados nas tampas das turbinas.

Eu e o engenheiro Ronald na casa de máquinas da hidrelétrica de Machu Picchu

As 4 da tarde, pegamos o trem, que faz um trajeto delicioso pelo meio das montanhas e nos leva a aconchegante cidade de Aguas Calientes (este trem é o que ficou totalmente bloqueado com as enchurradas do final de janeiro de 2010).

Na luxuosa estação de trem, vestido para a Machu Picchu fashion week...

Cheguei junto ao grupo e fui entregue devidamente ao albergue, onde voltaria a encontrar a Ana e a Betinha, após 4 dias de separação. Quando cheguei, elas estavam nas termas de Aguas Calientes, e para não perder o compromisso com a janta e os demais colegas de caminhada, tive que subir um trajeto de 20 minutos em 8, banhar-se ultra rapidamente nas termas que mais parecia o piscinão de Ramos, e voltar para a Plaza de Armas. Devo ter estabelecido um novo recorde mundial para o trajeto.
A chegada triunfal do grupo a Aguas Calientes, na frente como sempre Dor, e a esquerda nosso guia Rolando.

A noite foi uma delícia. Tomamos algumas cervejas, cantamos e falamos muita besteira. No entanto, como tinhamos que acordar as 3:30 da manhã para a subida a pé a Machu Picchu, fomos dormir cedo. O dia seguinte coroaria uma das viagens mais emocionantes que fiz em minha vida, e se somaria as memórias inesquecíveis de uma existência.