terça-feira, 26 de maio de 2009

Se fiquei esperando meu amor passar...

... já não basta que então, eu não sabia amar, e vivia perdido e vivendo em erro, sem querer me machucar de novo por culpa do amor...

...assim dizia o poeta Renato Russo.

Sobre o amor, falam muitos e o que falam é pouco. Sim, apaixonado é o ser humano, aquele que vive... mas confuso é o amor.

Os que o entendem são sábios e são poucos, mas são muitos aqueles que o sentem e sem saber... há pois o eterno, posto que é chama, e o infinito posto que dure...

E que se celebre a inquietude, a avidez dos incautos, dos insanos, dos insatisfeitos, dos mundanos...

O amor, quem sabe ao menos, ou ao mais, leva consigo os segundos, vence o tempo, encontra o caminho no turbilhão... quem o conhece, que já o viu não o esquece, não o esquece...

Se fizesse sentido, tudo isto, se ficasse em papel, mas nada disso é aquilo, na verdade sim , o contrário, ou nem isto...

Do amor, sei pouco e sei muito, e no fim nunca saberei o suficiente... ao mesmo tempo que o busco, tenho medo de encontrá-lo outra vez...

O seu rumo, incerto, perigoso, o seu custo, uma vida, ou mais... razão de existir... quem o saberá? Muitos se perderam, sucumbiram, outros se encontraram, superaram... um lugar, uma razão, um senão, um talvez...

Do amor, sei pouco e sei muito, e no fim nunca saberei o suficiente...

domingo, 10 de maio de 2009

Duets - Bom encontro é de dois

Que surpresa boa foi quando ouvi a primeira vez esta música. Primeiro porque não conhecia bem ela, a dona da voz, e quando a conheci fiquei deslumbrado por tamanha sonoridade. Adoro quando encontro novas revelações da nossa MPB.

Segundo, a música é uma obra prima, sua melodia é uma dança suave aos meus ouvidos , e tem muito a ver com o momento que estou passando, ou passei... um desencontro.

Sua letra, ao mesmo tempo leve e pesada, diz muito e diz pouco. Gostei desde a primeira vez que ouvi e confesso que vira e mexe ela está tocando na rádio que sintonizo em minha cabeça.

Estou falando de Boa Sorte / Good Luck com Vanessa da Mata e Ben Harper. Afinal, bom encontro é de dois...


http://www.youtube.com/watch?v=Jw6TnHYUkPg

sábado, 18 de abril de 2009

Aikido - A arte do não conflito

Eu confesso que gosto e acompanho a filosofia das artes marciais com muito interesse. Impressiona as filosofias destas artes e como elas são percebidas através de suas técnicas .

Durante minha vida, já fui praticante de Judô e Taiando (isto mesmo Taiando, uma técnica desenvolvido por um brasileiro misturando Taekando e Karate), e hoje sou praticante de Aikido. Embora todas elas tem bastante coisas em comum, há também bastante diferenças entre elas.

O Aikido significa "o caminho da energia interior" ou "o caminho da harmonia", e uma das coisas que percebo no aikido com maior intensidade do que as demais artes que pratiquei é a enfase no aprimoramento pessoal como um todo. No Aikido não é possível aprimorar a técnica sem aprimorar a sua personalidade.

A técnica do Aikido consiste na repetição a exaustão de alguns golpes buscando a perfeição, e logicamente, o que nos afasta da perfeição são os nossos problemas de personalidade mais marcantes. Assim, para melhorar na técnica e atingir um próximo degrau no caminho da perfeição, é preciso resolver um a um estes problemas... A evolução, no meu caso, é lenta e vagarosa, contudo, vigorosa e permanente. Aplicar a técnica é um convite para reflexões mais profundas, é uma viagem de auto conhecimento.

Outra coisa que gosto no Aikido é a ética do não conflito. Li num livro as quatro éticas de luta. A primeira delas, a mais primitiva, consiste na agressão gratuíta, que apesar de bárbara, ainda é presente em muitos jovens da classe média das grandes metropoles brasileiras, que saem na rua para brigar.

A segunda ética, em pouca coisa melhor que a primeira, está na postura do combate, na provocação. Nesta situação não ocorre a agressão gratuíta, mas a provocação para a agressão. E quando da resposta a provocação a agressão, aí sim se desencadeia o conflito. Neste caso também há a intenção do conflito e do dano.

A terceira ética, mais elaborada está na defesa ao conflito. A luta é apenas um instrumento de defesa, não de ataque. Após um ataque, há a defesa e o contra-ataque. O dano é decorrente de uma ação agressiva vinda de um terceiro. A maioria das artes marciais possui esta ética como predominante.

No entanto, há uma quarta ética, um pouco mais elaborada, que se preocupa com o dano ocasionado ao terceiro, mesmo enquanto defesa a uma agressão. Assim, a agressão deve ser combatida com a exata energia suficiente para a neutralização da agressão, para inibir o agressor de continuar o ataque. Esta é a ética do Aikido. Os golpes foram pensados onde a dor pudesse ser controlada, e pudesse ser aumentada ou diminuida conforme a resistência apresentada. Que o adversário pudesse ser neutralizado quase que sem sentir dor.

O mais interessante é que não há praticamente golpes de ataque no Aikido, toda a técnica é baseada numa reação a um ataque e na neutralização deste, o que pra mim é impressionante.

Fora tudo isto, acho a técnica de uma elegância que ao mesmo tempo que cria uma falsa impressão de ineficiencia (eu que faço Aikido sei que a técnica é bem eficiente), tem uma plasticidade que muitas vezes se assemelha a uma dança.

Convido a todos a conhecer esta arte marcial, que também serve como filosofia de vida.

E o melhor do Aikido, ele é acessível a homens e mulheres dos 4 aos 94 anos de idade.


Uma breve demonstração com Christian Tissier:
http://www.youtube.com/watch?v=ENSat0bmUpA

terça-feira, 14 de abril de 2009

CrazYness - Um desabafo

Uma fração da existência, como numa roda viva onde os segundos são como história, algo como se numa vaga lembrança. Um impulso desenvairado rumo em frente, o importante é conseguir chegar.

Entregas, corridas, armamentistas ou não. Um labirinto quase escuro na surdez da escuridão. Quase como a ânsia após o regorgitar. O sem saída e o sem razão.

Escrever às lágrimas, sangrando o papel, continuar fluindo contra a maré. Remando do contra, ouvindo o vento carregando tudo e todos, uma confusão.

Mesmo assim, empregnado dos segundos, o tempo voando em todas as direções. Uma estranha sensação de não bastar, de não quer mais... um castigo quase infinito, um raio sem intenção.

O começo de uma maratona, suma, avôa, busca incessante de quem não quer incessar. Vale a pena lembrar: o contrário, e então, o oposto disto.

Palavras pelo ar, ávidas, vigilantes, para quem não sabe onde e porque começar, uma loucura, sempre ela, a vasculhar os cantões da mente, a propulsão da gente... algo assim que não se pode reprimir nem reprisar.

E assim, vai, água torrente, invadindo, conseguindo , pulsando sempre e como, nunca irá mais uma vez pulsar.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Duets - Gilbertos

Inspirado num blog de uma amiga http://whennobodyseesme.blogspot.com/ , encontrei esta pérola no YouTube.

De um lado um dos ícones da Bossa Nova e seu banquinho, do outro um talento precoce, tal pai tal filha.

Estou falando da família Gilberto, papai João e filha Bebel em uma das interpretações mais lindas que ouvi (e vi) da música "Chega de Saudade" de Vinícius de Moraes. A música e uma delícia e Bebel está inspirada e em total harmonia com o pai.


Pra vocês curtirem, segue o link no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=gzxVBXCP1jg

domingo, 22 de março de 2009

A vida - Roteiros - Parte II

Escritório, cheio de baias com computadores. Algumas pessoas trabalhando, duas pessoas conversam sobre qualquer coisa no canto, Arthur está parado olhando para o seu computador. Um programa de CAD esta rodando na tela. Não há mais nada na tela

Arthur então começa a desenhar no CAD. Primeiro um paralelepipedo que aos poucos começam a ganhar contornos de uma nave espacial. Música de star wars sobe ao fundo. Seu vizinho da baia do lado olha o desenho e ri consigo. Arthur coloca alguns efeitos especiais e faz a nave rodar em 3D na tela.

O chefe chega de repente e interrompe a concentração de Arthur.

Arthur !
virando surpreso...
ãã ?!?

agora tentando em vão esconder a espaçonave que roda 360 graus em seu computador
Chefe com um grupo de papeis na mão...
Precisamos terminar estes desenhos até segunda.

A sim claro!
O cliente quer recebê-los para uma olhada antes
Tudo bem!
E nos estamos atrasado
s com aqueles esboços do croqui do X5
Eu sei, é que tive alguns problemas com as interfaces, e...

Se tiver problemas, me avise, mas gostaria também do croqui na segunda em minha mesa
Ok. Eu vou tentar!
Está tudo bem com você, rapaz?
Arthur olhando para o nada e pensativo...
Como?
Tá tudo bem?
Ah! Claro!
Então está bem. Não se esqueça, os dois pra segunda. Tá bom?
Certo!
Chefe indo embora. para por um instante e se vira mais uma vez...
Ah, e Arthur..

Arthur se vira, mais uma vez meio surpreso. Com cara de interrogação
Bonita espaçonave!
Sai, piscando o olho com um sorriso
Arthur abre um sorriso e o vizinho de baia ri

quarta-feira, 18 de março de 2009

Método e Filosofia da ciência: as mudanças de paradigma no século XXI

Considero que o paradigma clássico da Ciência teve como um dos marcos importante o Discurso sobre o Método de René Descartes, principalmente em termos de sistematização do que é o método científico como hoje o conhecemos.

De acordo com Descartes o método [científico] é baseado em quatro preceitos:
“O primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal...”, ou seja, introduz o conceito de verificação.

“O segundo, o de repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a fim de solucioná-las” A compartimentalização e redução do problema em menores partes é característica do método que depois se utiliza da inferência, lógica e dedução para a construção de conhecimentos mais complexos, passiveis de comprovação. Esta última parte Descartes define no terceiro preceito, “o de conduzir por ordem de meus pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar-me, pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e presumindo até mesmo a ordem entre os que não precedem naturalmente uns aos outros.”

O último preceito de Descartes é “o de efetuar em toda parte relações metódicas tão completas e revisões tão gerais nas quais eu tivesse a certeza de nada omitir”, o autor introduz o conceito das relações, padrões, leis de caráter generalista que caracteriza o método científico como o conhecemos hoje.

Da natureza hipotético-dedutiva de Descartes e da sua crença na necessidade da desconstrução do velho para a construção do novo, se baseia muito da filosofia da ciência clássica até hoje. O método busca estabelecer relações, leis, regras, padrões a fim de poder-se concluir algo, daí a célebre frase: "Penso, logo existo" (Cogito ergo sum)
Nos finais dos anos 20 do último século, a Física Quântica, foi protagonista do que originou o debate atual de um novo paradigma para a ciência. São famosos os repetidos embates entre Einstein x Bohr em Solvay em 1927 e 1930, representando um dos conflitos ainda atuais destes dois paradigmas. De um lado “Deus não joga dados” de Albert Einstein, e de outro “Einstein, pare de dizer a Deus o que fazer” de Niels Bohr dá o tom do que foi o nascimento deste conflito que afetou a bases do pensamento científico.

Na excelente biografia de Albert Einstein escrita por Walter Isaacson, há alguns trechos que caracterizam este embate. “A discussão dos dois chegou ao cerne fundamental da estrutura do cosmos: haveria uma realidade objetiva que existisse podendo-se ou não observá-la? Existiriam leis que restaurassem a causalidade estrita a fenômenos que pareciam inerentemente aleatórios? Seria tudo predeterminado no universo?”

Einstein conseguir resumir em uma frase este incomodo criado: “A crença num mundo externo independente do sujeito que o observa é à base de toda a ciência natural”, e esta base era justamente aquela que caia por terra com a nova física.


No intrigante livro “Quem somos nós”, três autores, Arntz, Chasse e Vicente, organizam alguns dos cientistas contemporâneos que defendem novas lentes a serem usadas pela comunidade científica. No capítulo intitulado “A mudança de paradigma”, Willian Tieller cientista e professor da Universidade de Stanford resume o problema da seguinte forma: “Não há lugar no (...) paradigma atual para qualquer forma de consciência, intenção, emoção, mente ou espírito. E como nosso trabalho mostra que a consciência pode exercer um efeito concreto sobre a realidade física, isto significa que no fim das contas tem de haver uma mudança de paradigma que abra espaço para a incorporação da consciência; a estrutura do universo precisa ser expandida para além do ponto em que está no presente para que a consciência possa entrar”

O princípio da incerteza (ou o princípio da indeterminação) de Heisenberg estabelece que não é possível obter a um só tempo a medida precisa da velocidade e a da posição de uma partícula. Quanto mais nos focalizamos em uma propriedade, mais a medição da outra se perda na incerteza. Isto cria algumas constatações que estremecessem as bases do pensamento científico clássico, como já outrora percebido por Einstein: O observador interfere na experiência, assim inferimos duas coisas: “Não existe ambiente controlado (técnico)” e “Não existe imparcialidade completa (social)”
Esta nova realidade insere o “livre arbítrio”, a intenção, no centro da discussão científica. De acordo com o livro “Ponto de Mutação” escrito pelo físico Fritjof Capra, estamos defronte da oportunidade da unificação de conflitos seculares como o entre místico/espiritual e ciência.

“Em contraste com a concepção mecanicista cartesiana, a visão do mundo que está surgindo a partir da física moderna pode caracterizar-se por palavras como orgânica, holística e ecológica. Pode ser também denominada sistemática, no sentido da teoria geral dos sistemas. O universo deixa de ser visto como uma máquina, composta de uma infinidade de objetos, para ser descrito como um todo dinâmico, indivisível, cujas partes estão essencialmente inter-relacionadas e só podem ser entendidas como modelos de um processo cósmico”

Alguns trechos interessantes do seu livro mostram o quão profundas foram estas mudanças: “A descoberta do aspecto dual da matéria e do papel fundamental da probabilidade demoliu a noção clássica de objetos sólidos”... “Portanto as partículas subatômicas não são “coisas”, mas interconexões entre “coisas”, por sua vez, são interconexões entre outras “coisas”, e assim por diante”...

Posso concluir que estamos passando nestes últimos cem anos por um processo significativo de ruptura quanto ao paradigma científico. Entre os muitos conflitos identificados nos autores e leituras acima, cito alguns que achei mais relevantes para a reflexão.

Conflitos entre o paradigma clássico e moderno da ciência:

- Imparcial x Parcialidade Explicitada
- Objetiva x Subjetiva
- Exata x Probabilísti ca
- Observador passivo x Observador ativo
- Hermética x Aberta a novos temas
- Determinística x Não linear (quantum)
- Holístico x Compartimentalizado